terça-feira, 29 de novembro de 2011

CARTA ABERTA AO PASTOR DA IGREJA BATISTA - PAULO R. LIMA SOBRE ORDENAÇÃO DE MULHERES AO PASTORADO




Ilustríssimo amigo e pastor
Paulo Rodrigues Lima

Saudações no Senhor!

Em nosso última conversa via celular, notei sua felicidade no que tange à Obra de Deus que está realizando, o sucesso do vosso pastorado à frente da Igreja Batista de Vila Norma. Ouvi com atenção vosso relato sobre sua amada filha Valéria, de que ela está concluindo o curso teológico e que será “ordenada” ao Ministério Pastoral, confesso que fiquei bastante chocado em saber que o senhor mudou de ideia no que se refere à mulheres no pastorado.

Querido amigo e pastor, não pretendo ofendê-lo de maneira nenhuma, mesmo porque o respeito e o amo em Cristo Jesus, faço esses comentários para ver se alguma forma posso ser útil sobre sua novel posição em aceitar mulheres no Ministério Pastoral.

Acho, para começar, que o fato do senhor ser pastor, e hoje aceitar tranquilamente a “ordenação” de mulheres está condicionado à visão Patriarcal e Machista da época. Ou seja, a Bíblia Sagrada é nossa Regra de Fé e Prática, mas não para todas as coisas. Pois ao rejeitar o ensinamento Bíblico sobre liderança adota-se outro parâmetro, que geralmente é o pensamento e o espírito da época.

E, é claro pastor Paulo R. Lima, que a nossa cultura a mulher especialmente as inteligentes e dedicadas como sua amada filha Valéria ocupa posições de liderança disponível, desde o CEO de empresas à presidência da República.

Portanto, sem o ensinamento Bíblico como âncora, nada mais natural que as Igrejas (inclusive a Igreja Batista) também coloquem em sua liderança “presbíteras”, “pastoras”, “episcopisas” e até “apóstolas”. Mas a pergunta que o senhor como pastor de uma denominação respeitada deveria fazer, é o que a Bíblia Sagrada ensina sobre mulheres assumirem a liderança da Igreja Cristã e se esse ensino se aplica aos nossos dias?

Amigo Paulo Lima, de maneira alguma escondo a minha opinião. Como Ministro do Santo Evangelho, na qualidade de Bispo (Pastor) da Igreja Anglicana, a liderança da Igreja Cristã foi entregue pelo Senhor Jesus Cristo e pelos Apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado nas Sagradas Escrituras do Novo Testamento, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos, e não culturais. Senão, reflita comigo no seguinte:

  1. Embora as mulheres na Bíblia Sagrada tenham sido juízas e profetisas em Israel (Juízes 4.4 e II Reis 22.14, o que pode sugerir que a Cultura Judaica não era tão machista assim), essas mulheres nunca foram ungidas, consagradas ou ordenadas para cuidar do serviço Sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no Templo e ensinar o Povo de Deus, que eram funções dos Sacerdotes (confira Malaquias 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Filipe (Atos 21.9 e I Coríntios 11.5), mas não encontramos Sacerdotisas, isto é, “Presbíteras”, “Pastoras”, “Episcopisas” ou “Apóstolas”. Caro pastor Paulo Lima, há “doutores” de Bíblia em nossas Igrejas que tentam apelar a Débora e Hulda, mas isso prova que deus pode usar mulheres santas para falar com seu povo, e não como evidência de que as mulheres devem ser “ordenadas”, “ungidas” ou “consagradas” com autoridade sobre o Povo de Deus.
  2. Já ouvi de algumas dessas “pastoras” que o Senhor Jesus Cristo não escolheu mulheres para serem apóstolas porque Ele (Jesus) não queria escandalizar a Sociedade Machista de sua época. Nossa?! Tenho que rir... rsrsrsrss! É muito engraçado não acha? Sabe o porque? Porque o senhor bem sabe que o nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo, rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. O Senhor Jesus Cristo falou com mulheres (João 8. 10-11), inclusive com Samaritanas (João 4.4), Ele quebrou o sábado (João 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mateus 7.2) e também, relacionou-se com pagãos (gentios) de sua época (Mateus 4.15). Querido pastor Paulo Lima, pare e reflita! Se o Senhor Jesus Cristo achasse que era a coisa certa a fazer, certamente Ele teria escolhido mulheres para constar entre os Doze Apóstolos que nomeou, não teria? Mas não o fez! Apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e o serviam , como Maria Madalena, Marta e Maria (Lucas 8. 1-2).
  1. Por5 falar nisso, lembre-se que também os Apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas Iscariotes, escolheram um HOMEM, São Matias (Atos 1. 6), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na Assembléia, como a própria mãe do Senhor Jesus, Maria (Atos 1. 14-15) __ que escolha seria mais lógica do que Maria, a mãe do Senhor Jesus Cristo? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidassem das viúvas da Igreja Primitiva, determinaram que fossem escolhidos SETE HOMENS, quanto natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6. 1-7).
  1. Tem mais querido pastor. Nas instruções que deram as Igrejas Primitivas sobre Presbíteros (Pastores) e Diáconos, os Apóstolos determinaram que eles deveriam caso casados, SER MARIDO DE UMA SÓ MULHER E QUE GOVERNE BEM A CASA DELES ___ obviamente, eles tinham em mente homens e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como sua amada filha Valéria. Querido pastor Paulo Lima, preste bem a atenção: Mesmo que reconhecessem o importante e decisivo papel da mulher no bom andamento das Igrejas, não as colocariam na liderança das Comunidades, proibindo que elas (as mulheres) ensinassem com autoridade que, era própria do homem (confira I Timóteo 2. 12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (I Coríntios 11. 3; Efésios 5. 23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.
  1. Também já ouvi dos Pastores Evangélicos e de Bispos Anglicanos, que nenhuma das passagens Bíblicas acima citada se aplica hoje, pois são passagens Culturais. Nossa? Quanto Absurdo não acha? Mas será que são passagens Culturais pastor Paulo Lima? Será que estas orientações foram resultado da influência da Cultura Patriarcal e Machista daquela época nos autores Bíblicos? Será que o apóstolo São Paulo era mesmo um Machista, que tinha problemas com as mulheres e suspeitava que elas viviam constantemente tramando para assumir a liderança das Igrejas que São Paulo organizou? Será que um machista deste tipo, diria que as mulheres têm direito ao seu marido, que elas têm direito sexuais iguais aos homens, bem como o direito de separar-se quando o marido resolve abandoná-las? (I Coríntios 7. 2,4,15). Pergunto ao senhor pastor Paulo: Um machista determinaria que os homens deveriam amar a esposa como amavam a si mesmos? (Efésios 5. 23,28). Um machista se referiria a uma mulher admitindo que ela havia sido sua protetora como São Paulo o faz com nossa irmã Febe? (Romanos 16. 1-2).
  1. Agora, se o apóstolo São Paulo foi realmente influenciado pela Cultura de sua época ao proibir que as mulheres assumissem a liderança das Igrejas Primitivas, o que me impede de pensar que a mesma coisa aconteceu quando o apóstolo São Paulo ensinou, por exemplo, que a Homossexualidade é uma distorção da natureza acarretada pelo abandono de Deus (Romanos 1. 18-32) e que os Sodomistas é os Efeminados não herdarão o Reino de Deus (I Coríntios 6. 9-11). Estimado amigo e pastor Paulo Rodrigues Lima, será que o senhor e sua amada filha Valéria, defenderiam que estas passagens Bíblicas são também Culturais e que se o apóstolo São Paulo vivesse hoje teria outra opinião sobre a Homossexualidade? Faço-lhe esta pergunta, porque já existem várias “Igrejas” ditas cristãs usando esse “argumento” de pobreza franciscana como prova.

  1. As alegações Apostólicas não me soam Culturais. São Paulo argumenta que o homem mé o cabeça da mulher com base em um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando a mulher (I Coríntios 11. 3). Caro pastor, esse argumento me parece totalmente teológico, como aquele que faz uma analogia entre o marido e a mulher e Cristo e a Igreja: “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da Igreja” (Efésios 5. 23). Sinceramente não consigo imaginar uma análise menos Cultural do que essa para estabelecer a liderança masculina. E, quando São Paulo restringe a participação da mulher no ensino autorizado ___ que é próprio do homem ___ argumenta com base no relato da Criação e da Queda (I Timóteo 2. 12-14).
  1. Pastor Paulo Lima, seja sincero para consigo mesmo, para legitimar a posição “pastoral” de sua amada filha valéria será preciso dar um jeitinho nesse padrão de liderança exclusiva masculina, que é claramente ensinado nas Sagradas Escrituras? Sinceramente, não há como aceitar sua filha ou qualquer outra mulher ser “Pastora”, “Presbítera”, “Episcopisa” ou “Apóstola” e ao mesmo tempo reconhecer que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus para os nossos dias. É triste ouvirmos certos lideres afirmarem que a Bíblia Sagrada é um livro culturalmente condicionado, e só devemos aplicar dele aquelas partes que estão em harmonia e consenso com a nossa “cultura”. Eu sei que o senhor nunca me disse isso com essas exatas palavras, mas a impressão que fiquei é que o senhor considera a Bíblia como retrógrada e ultrapassada e que o modelo de liderança nela ensinado não serve de paradigma para a liderança da Igreja Cristã em nossos dias. Me perdoe, mas é o que penso do senhor. Olha amigo Paulo Lima, quando se chega a esse nível, então, para mim, a porta está aberta para a entrada de qualquer coisa que seja aceitável em nossa atual cultura, mesmo que seja condenada nas Escrituras Sagradas. Pastor, como sua filha valéria, sendo “pastora” poderá responder biblicamente aos jovens de sua Igreja que declaram ser o casamento ultrapassado, o sexo antes do casamento algo corriqueiro e ainda sobre o relacionamento homossexual? Como a sua amada filha valéria vai orientar biblicamente aquele casal que acha normal ter casos extraconjugais, desde que os dois estejam de acordo? E aos que entendem que escandalizar-se com o adultério também é coisa do passado? É tudo uma questão Cultural daquela época? Sabe querido Paulo Lima, com todo respeito que tenho por sua pessoa, o senhor não está sozinho nessa distorção bíblica doutrinária. Na realidade, esse pensamento é também popularizado por Faculdades e Seminários Teológicos de várias outras denominações Tradicionalistas, e por professores de Bíblia que passaram a questionar a infalibilidade da Gloriosa Palavra de Deus, utilizando o método de aula que São Paulo e os demais autores do Novo Testamento foram influenciados pela visão Patriarcal e Machista do mundo antigo, em minha Igreja Anglicana a coisa tá preta.. rsrsrs. Bem, só poderia dar nisso né? Quantos Bispos Anglicanos e Pastores Evangélicos e até mesmo as Igrejas relativizam o ensino da Bíblia Sagrada, considerando-o preso ao século I e irremediavelmente condicionado à visão de mundo antigo, a Igreja perde o referencial, o parâmetro, o norte, o prumo ___ e, como ninguém vive sem essas coisas, elege a Cultura como Guia.
Termino este e-mail reiterando meu apreço e respeito ao senhor como homem de Deus e Ministro do santo Evangelho e também o respeito e carinho que tenho pela sua amada filha valéria, peço-lhes desculpas se não me posso dirigir ao senhor, de outra forma, peço-lhes desculpas se não posso concordar em chamar sua amada filha Valéria de “pastora”. Mas espero que o senhor entenda minha posição Bíblica e Teológica.

Nada mais,

Revemº Dom José Kennedy de Freitas
Bispo Anglicano