quinta-feira, 17 de novembro de 2011

pastoral sobre o amor


A Superioridade do Amor em Relação aos Dons do Espirituais

Texto: I Coríntios 13:1-13

Pelo Revemº Dom J. Kennedy de Freitas – Bispo Eleito

INTRODUÇÃO:

O que é amor? Alguns o consideram uma emoção: O coração bate forte, as mãos ficam geladas – isso é amor!

• Outros dizem que o amor é um sentimento romântico, platônico, poético.

• Para outros o amor é uma atração ou um impulso passional. Uma paixão inflamada, indomável. Exemplos: 1) “Eu matei por amor”; 2) O líder religioso de Vila Velha que ligou para uma mulher e dentro de meia hora estavam numa cama de motel.

• Hoje, com o desgaste da palavra amor, ela passou a significar uma atividade sexual antes do casamento, durante o casamento e fora do casamento. Esse amor tem trazido ódio, desgraças, divisões, lares arruinados e enfermidades.

• O amor ágape é muito mais que emoção. É atitude, é ação. É amar o indigno. É amar até às últimas conseqüências. Cristo nos amou e a si mesmo se deu por nós.

• OS CORÍNTIOS =
Quando São Paulo escreveu para a igreja de Éfeso, Filipos, Colossos e Tessalônica ele agradeceu a Deus pelo amor existente entre aqueles irmãos. Mas, quando escreveu para Corinto, não o fez. Pelo contrário, ele agradeceu pelos dons. Corinto era uma igreja cheia de dons (1:7). Mas era uma igreja imatura e carnal (3:3).

São Paulo não agradece pelo amor, porque esta era a grande deficiência da igreja de Corinto. Quando lemos toda a carta descobrimos que eles não tinham amor. O amor deles era raso e inexpressivo.

• E isso nos levou a I Coríntios 13, o grande capítulo do amor. Infelizmente, costumamos ler este capítulo sem considerar o contexto total da carta. Quando entendido dentro do contexto, vemos que I Coríntios 13 é antes uma condenação da carnalidade dos crentes de Corinto. São Paulo diz que a vida comunitária sem o amor não é nada (1-3). A seguir ele descreve o que é amor, o que não é amor e o que o amor faz (4-7). Finalmente, São Paulo descreve vividamente a natureza duradoura e eterna do amor (8-13).

I. A AUSÊNCIA DO AMOR – V. 1-3

O amor é superior a todos os dons extraordinários . O amor é melhor do que o dom de língua (v. 1). O amor é melhor do que o dom de profecia e conhecimento (v. 2). O amor é melhor do que o dom de milagres (v. 2). As maiores obras de caridade são de nenhum valor sem amor (v. 3). O amor é melhor por causa da sua excelência intrínseca e também por causa da sua perpetuidade.

• Todos os dons mais dramáticos e mais maravilhosos que podemos imaginar são inúteis, se não há amor. O exercício mais generoso dos dons espirituais não pode compensar a falta de amor.
São Paulo menciona cinco dons espirituais: línguas, profecia, conhecimento, fé, contribuição sacrificial (dinheiro e vida). Mas ele diz que o exercício desses dons sem o amor não tem nenhum valor.
A igreja de Corinto estava cheia de rachaduras, de cisões, de divisões por causa dos dons:porque não sou mão não sou do corpo”; “não podem os olhos dizer à mão: não precisamos de ti”; outros diziam: “eu sou de Paulo, eu de Apolo, eu de Cefas e eu de Cristo”. São Paulo disse que os dons não eram para divisão do corpo (12:25).

Ali estava a igreja mais cheia de dons do Novo Testamento, mas também a igreja mais imatura e mais carnal, porque lhe faltava amor. A igreja buscava os dons do Espírito, mas não o fruto do Espírito.

São Paulo faz três declarações duras acerca do cristão que não tem amor.
1. Sem amor, eu ofendo os outros – v. 1.

Em 8:1 Paulo já havia ensinado que o amor edifica. Quando os dons são exercidos em amor eles edificam a igreja. Mas quando os dons não são usados com amor, magoamos as pessoas. Paulo expõe esse assunto por meio de uma referência indireta aos devotos dos cultos de mistério gregos em Corinto, que adoravam Dionísio (deus de natureza) e Cibele (deusa dos animais selvagens). Nas ruas de Corinto ecoavam o toque dos gongos barulhentos e dos címbalos estridentes, instrumentos que caracterizavam esses adoradores. Esse som monótono e pesado incomodava as pessoas como o latido constante de um cão.

Igualmente desagradável são aqueles que usam o dom de falar em línguas sem a motivação controlada pelo amor. Não importa se as línguas são humanas ou angelicais, sem amor tornamo-nos desagradáveis e rudes.

O homem que se deixa levar pelo falar, antes que pelo fazer, vem a ser nada mais que mero som. A melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho.
2. Sem amor, eu nada sou – v. 2.

Os coríntios pensavam que os possuidores de certos dons eram pessoas extremamente importantes. Mas sem amor essas pessoas eram totalmente insignificantes. A ausência de amor faz com que o cristão perca o seu significado diante de Deus. Ele se transforma em uma nulidade, num zero. Deus não pode usar, para a sua glória, um cristão sem amor.

3. Sem amor, eu não ganho nada – v. 3.

Do conhecimento e dos feitos poderosos, São Paulo se volta para os atos de misericórdia e dedicação. São aulo agora menciona dois atos de sacrifício pessoal (contribuição sacrificial e martírio). Será que tais atos não são inerentemente valiosos aos olhos de Deus? Não são meritórios. Tais atos podem ser motivados por uma teologia errada e por um propósito errado. Exemplo: Os suicidas Talibã que jogaram os aviões nas torres gêmeas no dia 11/09/2001. Sem amor, todo o sacrifício se perde e nada se ganha.

II. AS VIRTUDES DO AMOR – V. 4-8

Os versos acima mostram: O que é o amor. O que não é o amor. E o que o amor faz. Primeiro o amor é paciente e benigno. Segundo, o amor não é ciumento, ufanoso, ensoberbecido. O amor não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses e não se ressente do mal. O amor não se alegra com a justiça, mas rejozija-se com a verdade. Terceiro o amor tudo sofre, crê, espera, suporta e jamais acaba.

13:4 “O amor é paciente e benigno” = O amor tem uma infinita capacidade de suportar. A palavra indica paciência com pessoas em vez de paciência com circunstâncias. Benigno = reage com bondade aos que o maltratam. Eles eram impacientes uns com os outros e indelicados em suas atitudes entre si. Na verdade havia divisões e contendas entre eles (1:10,11; 6:7).

13:4 “O amor não arde em ciúmes, não se ufana e não se ensoberbece” = O amor não se aborrece com o sucesso dos outros. Eles eram ciumentos e orgulhosos. Eles se ensoberbeciam (1:29; 3:21; 4:6,18-19; 5:2). Eles tinham inveja uns dos outros (3:3: 12:15,21).

13:5 “O amor não se conduz incovenientemente, não procura os seus próprios interesses” = O amor é a própria antítese do egoísmo. Os crentes de Corinto estavam fazendo pouco uns dos outros e usavam os dons para a sua própria glorificação. Na Ceia do Senhor uns comiam e bebiam; outros passavam fome (11:17-22).

13:5 “O amor não se exaspera e não se ressente do mal” = O amor não é melindroso. Não está predisposto a ofender-se. O amor está sempre pronto para pensar o melhor das pessoas, e não lhes imputa o mal. Os cristãos de Corinto estavam levando uns aos outros aos tribunais diante de juízes não-cristãos (6:5-7). Eram egoístas e carnais.

13:6 “O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” = É tremendamente característico da natureza humana sentir prazer com os infortúnios dos outros. Grande parte das colunas de notícias dos nossos jornais é dada a relatar injustiças. O amor não se alegra com o mal, de nenhuma espécie. Havia imoralidade na igreja, coisa que não acontecia nem entre os gentios (5:1). Pior: Eles se orgulhavam do próprio pecado em vez de lamentar (5:2).

13:7 “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” = Além da imoralidade sexual, muitos desses cristãos eram insensíveis para com os membros mais fracos do grupo. Usavam a liberdade para provocar escândalos (8:9). Na realidade alguns chegaram a praticar idolatria (10:14). Eles davam crédito à mentira, mesmo contra o seu pai espiritual, o apóstolo Paulo (4:3-5; 9:1-3).

São Paulo trabalha três diferentes aspectos nesses versos 4-8:

1. O amor e as trevas em nós mesmos – v. 4b-5a.

Com o uso de cinco negativas, cada uma precedendo um verbo São Paulo diz que o amor simplesmente não faz essas coisas: ele não se entrega ao ciúme, ao ufanismo ou à arrogância; resiste à tentação de reagir com rudeza ou egoísmo.

Esses pecados todos estavam presentes na igreja de Corinto.

2. O amor e as trevas dos outros v. 5b-6.

São Paulo menciona três maneiras pelas quais as faltas dos outros nos levam à falta de amor: 1) Há pessoas que nos provocam – Não podemos permitir que as pessoas determinem o nosso comportamento. 2) Há pessoas que falam e fazem mal contra nós – é crucial reconhecer o perigo de regozijar-se com o fracasso dos outros, e particularmente manter uma lista dos erros cometidos. O amor além de perdoar, esquece; e não mantém um registro das coisas ditas e feitas contra nós. 3) Há um mal intrínseco em nós mesmos – Podemos cair na armadilha de nos regozijarmos não com o que é bom e verdadeiro, mas com o que é obscuro e sórdido. Encontramos um falso alívio quando vemos os outros fracassando e caindo.

3. O amor e as aparentes trevas em Deus – v. 7

A palavra tudo, repetida quatro vezes neste versículo, torna claro que o amor não é uma qualidade humana, mas um dom do próprio Deus. É apenas o amor de Deus em nós que nos capacita a sofrer, crer, esperar e suportar. Muitas vezes somos esmagados pela pergunta: Por que, Senhor? Mas quando amamos, descansamos no fato de que Deus está no controle. Aconteça o que acontecer, ficamos firmes porrque sabemos que Deus está trabalhando para o nosso bem final.

III. A ETERNIDADE DO AMOR – V. 8-13

São Paulo menciona os três dons que ocupam o alto da lista de prioridade deles: línguas, profecia e conhecimento. Cada um deles passará a ser irrelevante ou será absorvido na perfeição da eternidade (13:10).

São Paulo ilustra esta verdade geral de duas maneiras diferentes: 1) Ele menciona o crescimento desde a infância até a maturidade – a diferença entre a infância e a maturidade; 2) ele contrasta o reflexo de uma pessoa no espelho com a visão dela mesma, face a face – a diferença entre se ver uma imagem obscura (espelho polido) e a imagem verdadeira.

Enquanto não virmos o Senhor Jesus como ele é, teremos pouca maturidade. Enquanto não virmos o Senhor Jesus não veremos com total clareza as coisas de Deus! Enquanto vivemos nossas vidas nesta terra, a nossa visão das coisas é, na melhor das hipóteses, indistintas.

CONCLUSÃO

Todos os dons que temos são para esta vida. Mas o amor vai reinar no céu.

Dentre as maiores virtudes: fé, esperança e amor, o amor é o maior de todos!



PASTORAL - REFLEXÃO 2011 Nº 02

Como Restaurar Relacionamentos Quebrados

Os relacionamentos mais íntimos podem adoecer. As amizades mais próximas podem se acidentar nos rochedos das decepções e das mágoas. As palavras de amor podem ser substituídas pelas acusações ferinas; os abraços fraternos podem ser trocados pelo afastamento gelado; a alegria da comunhão pode ser perturbada pela tristeza da mágoa.

Os relacionamentos adoecem na família, na igreja e no trabalho. Pessoas que andaram juntas e comungaram dos mesmos sentimentos e ideais, afastam-se. Cônjuges que fizeram votos de amor no altar, ferem um ao outro com palavras duras. Amigos que celebravam juntos as venturas da vida, distanciam-se. Parentes que degustavam as finas iguarias no banquete da fraternidade, recuam amargurados. Irmãos que celebravam festa ao Senhor no mesmo altar, apartam-se tomados por gélida indiferença.

Como podemos restaurar esses relacionamentos quebrados? Como podemos despojar-nos da mágoa que nos atormenta? Como podemos buscar o caminho do perdão e tomar de volta aquilo que o inimigo saqueou da nossa vida?

1. Reconhecendo nossa própria culpa na quebra desses relaciomentos. É mais fácil acusar os outros do que reconhecer nossos próprios erros. É mais fácil ver os erros dos outros do que admitir os nossos próprios. É mais cômodo recolher-nos na caverna da auto-piedade do que admitir com honestidade a nossa própria culpa. A cura dos relacionamentos começa com o correto diagnóstico das causas que provocaram as feridas. E um diagnóstico honesto passa pela admissão da nossa própria culpa.

2. Tomando atitudes práticas de construir pontes de aproximação em vez de cavar abismos de separação. A honestidade de reconhecer nossa culpa e a humildade de dizer isso para a pessoa que está magoada conosco é o caminho mais curto e mais seguro para termos vitória na restauração dos relacionamentos quebrados. Jesus Cristo nos ensinou a tomar a iniciativa de buscar o perdão e a reconciliação. Não podemos ficar na retaguarda, nos enchendo de supostas razões, esperando que os outros tomem a iniciativa. Devemos nós mesmos dar o primeiro passo. Deus honrará essa atitude.

3. Tomando a atitude de perdoar a pessoa que está magoada conosco assim como Deus em Cristo nos perdoou. É mais fácil falar de perdão do que perdoar. O perdão não é coisa fácil, mas ele é necessário. Não podemos ser verdadeiros cristãos sem o exercício do perdão. O perdão também não é coisa rasa. Não podemos nos contentar com uma cura superficial dos relacionamentos feridos.

Não podemos ignorar o poder da mágoa nem achar que o silêncio ou o tempo, por si mesmos, possam trazer cura para esses relacionamentos quebrados. O perdão é mais do que sentimento, é uma atitude. Devemos perdoar porque fomos perdoados e devemos perdoar como fomos perdoados. Devemos apagar os registros que temos guardado nos arquivos da nossa memória. Não devemos cobrar mais aquilo que já perdoamos nem lançar mais no rosto da pessoa aquilo que já resolvemos aos pés do Salvador. O perdão é um milagre.

Ele é obra da graça de Deus em nós e através de nós. É dessa fonte da graça que emana a cura para os relaciomentos quebrados. Que Deus nos dê a alegria da cura dos relacionamentos no banquete da reconciliação!

-- + Revemº. Dom José Kennedy de Freitas .'. - Ph.D
Sacerdote Episcopal - Bispo EleitoMM.'. II.'. C.'. T.'. R.'.
(62) 8239-1069 - TIM
(62) 8619-2823 - OI
(62) 062- 9202-3338

PASTORAL: REFLEXÃO 2011


A língua, fonte de vida ou veneno mortífero?

Texto: Tiago 3. 1-8
Por Revemº. Dom José Kennedy de Freitas Ph.D- Bispo Eleito
Introdução
A língua pode ser uma fonte de vida ou um veneno mortífero. Pode dar vida ou matar (Pv 18.21). Tiago diz que se alguém não tropeça no falar é perfeito varão (Tg 3.2). Até o tolo quando se cala é tido por sábio e no muito falar não falta transgressão. O homem tem conseguido domar toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos, mas a língua nenhum dos homens é capaz de domar. A língua é mal incontido, carregado de veneno mortífero (Tg 3.7,8).

São Tiago fala sobre quatro coisas que a língua é capaz de fazer.

I. A língua é Capaz de Dirigir (Tg 3.3,4) 
 
São Tiago compara a língua ao freio do cavalo e ao leme do navio. Tanto o freio como o leme são instrumentos usados para controlar e dirigir. O freio controla e dirige o cavalo e o leme controla e dirige o navio. Um cavalo indócil pode usar sua força para o mal e tornar-se uma ameaça, mas se domado e controlado pelo freio usará sua força para o bem. Um cavalo governado pelo freio torna-se um animal dócil e útil ao seu proprietário. 

Um navio sem leme seria um veículo de morte e não de vida. Sem a direção do leme, um navio arrebentar-se-ia nos rochedos e provocaria grandes desastres, com muitos prejuízos. Tiago diz que a língua, um pequeno órgão tem o mesmo poder do freio e do leme. Ela pode governar e dirigir nossa vida para o bem ou para o mal (Tg 3.5). Com ela podemos nos livrar de terríveis acidentes ou podemos provocar imensos desastres.

II
. A língua é Capaz de Destruir (Tg 3.5b-8) 
 
São Tiago compara a língua ao fogo e ao veneno. Ambos são destruidores. Uma pequena fagulha coloca em chamas toda uma selva. Uma pequena dose de veneno pode matar uma pessoa rapidamente. Tiago diz que a língua é fogo; é mundo de iniquidade. Ela não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno (Tg 3.6). 
 
A língua é mal incontido, carregado de veneno mortífero (Tg 3.8). Assim como um incêndio, muitas vezes, se torna incontrolável, São Tiago também diz que a língua é indomável (Tg 3.9). A maledicência destrói e mata. A boataria espalha-se como um rastilho de pólvora e destrói como um incêndio que se espalha numa floresta. Infelizmente, há muitos cristãos envolvidos com fofocas causando muitos problemas na Igreja e na Sociedade. É lamentável.

II. A língua é Capaz de Deleitar e Alimentar (Tg 3.9-12)

São Tiago prossegue em seu argumento dizendo que a língua é comparada a uma fonte (Tg 3.11) e a uma árvore frutífera (Tg 3.12). A fonte pode nos saciar e a árvore pode produzir frutos saborosos que nos alimentam. Nossa língua pode ser medicina. Nossas palavras podem ser boas para a edificação. Com a nossa língua podemos trazer refrigério e restauração para as pessoas.

Conclusão - A língua é capaz de Praticar Profundas Contradições (Tg 3.9-12) 
 
São Tiago faz uma afirmação e depois revela uma incoerência. A afirmação demonstra o aspecto contraditório da língua: 
 
Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus (Tg 3.9). 
 
Diz São Tiago que de uma só boca procede bênção e maldição (Tg 3.10). São Tiago, porém, argumenta que essa incoerência é uma prática inconveniente: “Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim” (Tg 3.10b). São Tiago fecha a questão mostrando a impossibilidade de usarmos nossa língua para duas práticas tão contraditórias: “Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce” (Tg 3.11,12). 
 
Nossa língua é fonte de água doce ou salgada; é medicina ou veneno; é veículo para a glorificação de Deus ou ferramenta para amaldiçoar as pessoas. Não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo. Que Deus nos ajude a fazer a escolha certa!


Pensemos nisto, Amém!

PASTORAL - REFLEXÃO


O Perigo de Vestir-se com um Lençol

texto de Marcos 14.51,52
Por Revemº. Dom José Kennedy de Freitas Ph.D- Bispo Eleito


Introdução

O texto de São Marcos 14.51,52 relata o episódio de um jovem vestido com um lençol. A cidade de Jerusalém estava vivendo a noite mais dramática da sua história. Judas liderava a turba de sacerdotes e soldados que iam prender o Senhor Jesus. Já era noite. Muitas pessoas apenas olharam a cena, mas um jovem não se conteve. Do jeito que estava enrolado em um lençol, pulou de sua cama e infiltrou-se no meio da turba que estava levando Jesus preso. Não se apercebeu que lençol  não é roupa. Não se deu conta que estava indevidamente vestido e que poderia ser desmascarado e exposto ao  vexame.

Esse jovem é um símbolo daqueles que seguem a multidão, mas sem saber direito o que está acontecendo. Ele representa os seguidores ocasionais e os discípulos de plantão. Ele estava seguindo a Jesus, mas sem medir as consequências. Ele estava vestido inconvenientemente e despreparado para enfrentar as dificuldades. O texto em tela nos enseja algumas lições:

Em primeiro lugar, os que se cobrem com um lençol são um símbolo dos que seguem a Cristo sem compromisso.
 
Aquele jovem tornou-se um discípulo casual. Faltava-lhe  o compromisso com Jesus. Ele era um discípulo de improviso. Seguia o Senhor Jesus movido apenas pela curiosidade. Muitos ainda hoje, estão na igreja, mas não seguem o Senhor Jesus de verdade. Estão no meio da multidão, mas não conhecem a Jesus nem tem qualquer aliança com ele.
Em segundo lugar, os que se vestem com um lençol são um símbolo daqueles que vivem superficialmente.
O lençol era a única cobertura que aquele jovem possuía. Era, portanto, um arranjo, uma proteção superficial. Não havia mais nada além daquilo que era aparente. Quando lhe arrancaram o lençol, não havia mais nada para lhe proteger a vergonha. Há muitas pessoas ainda hoje, que vivem uma vida rasa, descomprometida, superficial. Têm apenas um verniz, uma casca de piedade, mas nenhuma essência de santidade. 
Em terceiro lugar, aqueles que se cobrem com um lençol são adeptos do pragmatismo. Eles preferem o que dá certo em lugar do que é certo.
 
Não era certo sair de lençol, mas naquele momento deu certo. Era noite e pensou que poderia ficar despercebido. O lençol enrolado no corpo, à noite, parecia-se com vestimenta decente. A escuridão favorecia esse tipo de arranjo. Ele pensou: “ninguém saberá, então, eu vou fazer”. Sua ética era a ética do momento, da conveniência. Muitos ainda hoje agem desta mesma forma. Estão mais preocupados com resultados do que com a verdade; buscam mais a conveniência pessoal do que fazer o que é certo diante de Deus.

Em Último lugar, aqueles que se cobrem com um lençol são um símbolo daqueles que não podem se defender. 
 
O jovem viu-se indefeso quando foi atacado. Ao precisar usar suas mãos, o lençol caiu e ele ficou nu. Eram suas mãos que faziam com que o lençol aderisse ao corpo. Ao liberar as mãos, o lençol caiu. Ficou vulnerável, exposto, desprotegido, nu. O inimigo agarrou o lençol, a única coisa que lhe protegia. 

Ficou nu. Fugiu nu. As máscaras podem nos esconder por um tempo. Mas ninguém consegue afivelar as máscaras com segurança. Uma hora a máscara cai e deixa a pessoa em maus lençóis, ou melhor, sem lençol. Há muitas pessoas que se infiltram no meio da multidão, despreparados para a luta. 

Na hora da crise, quem estiver trajando apenas um lençol ficará exposto ao opróbrio e à vergonha. Não é sensato vestir-se com um lençol! Você precisa trajar toda a armadura de Deus. Você precisa ser um discípulo de verdade, um seguidor de Cristo pronto a viver e morrer com ele e por ele, sem precisar fugir envergonhado.

Pensemos nisto!